Bolívia adentro!

Hora de partir de Uyuni. Já de manhã fomos ao banco sacar dinheiro para pagar o hotel e descobrimos que a cidade só tinha um caixa eletrônico aberto e que este por sua vez não tinha dinheiro. O hotel não aceitava cartões e a única grana que tínhamos enchemos o tanque e pagamos o guia e as refeições dos dois dias que ficamos ali, e para melhorar era domingo de Páscoa e só reabasteceriam o caixa eletrônico dia seguinte. Não queríamos mais ficar ali, já tínhamos visto tudo, mas até então parecia ser a única solução. Voltamos ao hotel e explicamos a situação, a gerente administrativa (Sussy) veio conversar conosco e disse que nos daria um voto de confiança, nos passou seus dados bancários e pediu que no dia seguinte na próxima cidade onde estivéssemos efetuássemos o depósito. Ficamos extremamente felizes com a gentileza e finalmente pudemos seguir viagem. Nós estávamos indo para a cidade mais alto do mundo, Potosí.

Nas alturas em Potosi!
Nas alturas em Potosi!
Comida boliviana!
Comida boliviana!

Os amigos argentinos já tinham nos informado que em alguns lugares os postos de pedágios são casinhas no canto da estrada sem nenhuma indicação com uma plaquinha muito da ordinária dizendo para parar e pagar, além do fato de você ter que guardar todos os recibos porque pode ser que te peçam na aduana na hora de sair do país. Já sabendo disto, ficamos atentos. Chegamos ao nosso primeiro pedágio, estacionamos o carro no acostamento e fomos pagar, eles pedem vários documentos, além de carimbarem o papel do carro que a aduana nos deu, seguimos viagem sem problemas. Chegando lá fomos procurar o hotel, caos total. Ruas sem nome, buzinas tocando sem parar, tentamos pedir informações algumas vezes mais todos diziam não saber onde ficava a rua, perguntamos então aos vários policiais de trânsito que estavam trabalhando, até que um soube nos dizer. Seguimos as orientações, mas demorou e muito para acharmos o hotel. Nossos amigos estavam lá, e a noite saímos para jantar juntos. Eles partiram cedo no dia seguinte e nós ficamos um pouco mais para visitar alguns lugares da cidade, apenas não fomos visitar nenhuma mina em Cerro Rico porque faltava e muito ar para nós. Já estávamos sentindo os males da altitude desde o deserto, mas depois de Uyuni e com a baixa umidade do ar, só estava piorando a situação, cada escada parecia uma promessa e uma simples caminhada pelas ruas da cidade era como uma maratona cumprida. A única coisa que tomamos para nos ajudar foi o famoso chá de coca, existem outros medicamentos, mas ficamos com o tradicional.

Hora de seguir para Sucre e novamente um horror sair da cidade, perdemos um bom tempo até chegarmos à rodovia, mas saímos. As estradas que percorremos eram razoáveis até agora e chegamos bem, passamos pelos pedágios, guardamos os papéis e tudo certo.

Logo quando fomos entrando em Sucre sentimos uma grande diferença. Cidade limpa, placas indicando direções e os nomes das ruas, além de uma arquitetura belíssima e bem conservada. Tínhamos nos programado para dormirmos duas noites, mas acabamos ficando mais uma. Encontramos com a brasileira que conhecemos no Salar e que faz faculdade na cidade, ele nos ajudou a encontrar um lugar para dormirmos e saiu conosco por duas noites.

Partimos cedo da cidade para Cochabamba e pela primeira vez estávamos viajando a noite, isto porque as muitas obras na estrada nos forçaram a parar por quase duas horas (em pontos diferentes). Foram dez horas dirigindo beirando um precipício, sem acostamento e postos de combustíveis escassos, apesar do muito tempo de viagem a quilometragem não era tanta e não precisamos abastecer. Tivemos a sorte de cruzar com motoristas bem educados, sobretudo, caminhoneiros. Extremamente cansados entramos na periferia da cidade e outro caos, ficamos em um engarrafamento no meio de uma feira noturna com gente, bicicleta, llamas, carros, motos, vans, caminhões, tudo que se pode imaginar, depois outra maratona até encontrarmos um lugar para dormir, mas finalmente chegamos.

Pensávamos em ficar mais na cidade, mas levantamos dispostos a irmos embora para La Paz, mas antes passaríamos em Oruro para tentar comprar pneus, pois disseram ter preços bons por lá. Cochabamba de dia era bem mais agradável, vivem na cidade diversos brasileiros e não é raro escutar português por aqui.

Já na estrada saindo da cidade, vimos um desvio. A princípio não parecia ser mais do que obras na pista, porém, mais a frente descobrimos que se tratava de um dos famosos manifestos bolivianos que fecham as estradas com pedras, troncos e barris com fogo. Nós e muitos outros carros começamos a corrida atrás de uma saída, entramos em um comboio, confiantes de que algum boliviano dali encontraria um modo de fugir daquela confusão, mas que nada, todo lugar tinha alguém mandando voltar, foi um entra e sai em várias ruas e nada de conseguir escapar do manifesto, só não ficamos nervosos porque era dia e não estávamos sozinhos. Por fim um grupo pegou uma “estrada” sobre os trilhos do trem e foi embora, nós percebemos que era aquilo ou dormir ali, então entramos na linha também e depois de um bom trecho seguindo este pessoal, encontramos uma rua que dava na estrada principal e que finalmente nos levava para longe de toda aquela confusão depois de quase duas horas.

A estrada para Oruro é boa, toda asfaltada e com sinalização, foi tudo tranqüilo até a cidade. Chegamos a cogitar a possibilidade de ficarmos uma noite ali, mas depois de procurar os pneus e sermos informados de que não tinham a medida que buscávamos, decidimos continuar viagem. Para nossa surpresa, ficamos novamente presos em um congestionamento com vários ônibus que chegavam a cidade para alguma festa (ficamos sem saber qual, e ainda hoje não queremos saber!). Um espetáculo de buzinas, fogos, apitos e nós ali no meio tentando chegar a capital. Não teve jeito abrimos a janela e fomos gritando, pedindo passagem até pegarmos a estrada.

A noite já vinha caindo e ficamos preocupados em chegar a La Paz já tarde, paramos em vários lugares pela estrada vendo hotéis para dormirmos, mas em nenhum nos sentimos encorajados a ficar, e faltando pouco decidimos seguir. A única coisa que dava para ver eram as luzes da cidade, chegamos a parte mais alta e parecia mentira ver toda aquela cidade dentro de um buraco, começamos a pensar porque escolheram aquele lugar tão pitoresco para viverem. Começamos a descer as curvas e não víamos praticamente ninguém na cidade, preocupados achamos melhor não apostar tudo no GPS (todo mundo já foi enganado por eles) e achamos melhor pagar um taxista para nos guiar. Vimos um táxi e paramos para perguntar se ele sabia onde ficava nosso hotel e ele disse que sim, disse que estava guiando um amigo caminhoneiro para um lugar perto e que se quiséssemos poderíamos ir seguindo-os também, e depois ele nos guiaria o restante do caminho. Claro que ficamos preocupados, mas o senhor parecia gente do bem e fomos atrás. Cada vez descendo mais, passamos por bairros com casas grandes e bonitas e depois de um tempo ele parou e falou que estávamos pertos, se queríamos que ele fosse junto ou se dali seguiríamos sozinhos. Olhamos o GPS e parecia tranqüilo, então agradecemos, ele nos desejou feliz estadia na cidade e sorte e fomos embora. Faltando pouco para o local onde o GPS indicava como sendo nosso hotel eis que em uma curva nos deparamos com um carro caído em uma canaleta de acostamento com mais ou menos um metro de profundidade com quatro jovens pulando no meio da rua pedindo ajuda, a princípio ficamos receosos, mas como uma mão lava a outra e a pouco um gentil taxista nos ajudou sem pedir nada em troca, achamos que era nossa oportunidade de retribuir e fomos ajudar. Posicionamos o carro para puxar de ré, colocamos o guincho na traseira do carro deles e começamos a puxar, conseguimos tirá-los em questão de segundos e eles vieram nos agradecer e nós então fomos tentar chegar ao hotel. Já era de madrugada e tocamos a campainha, mas ninguém atendia, acendemos todos os faróis, aceleramos o carro, e se vocês se perguntarem por que não buzinamos, é porque nossa buzina simplesmente parou de funcionar. Vieram os cachorros e depois dois homens, explicamos tudo e então fomos dormir.

Ufa! Como foi complicado chegar até aqui.

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6 comentários Adicione o seu

  1. Dani disse:

    Vi siete dimenticati di Sucre! la bellissima città coloniale e capitale della Bolivia. Sará per la prossima volta? La vostra impressione di Potosí coincide con quella che ho avuto io poco piú di un anno fa. Non vi dimenticate che siete nel Paese più arretrato dell’America Latina. Siete scesi in una miniera d’argento? E quanto a Oruro, meno male che non avete previsto di pernottarvi, perché è probabilmente la cittá meno interessante della Bolivia, tranne per le sue feste di carnevale e religiose, in cui invece sono incredibili le processioni e le sfilate.
    A risentirci presto.
    Dani

    1. expedicaoih disse:

      Ciao Dani,

      No abbiamo dimenticato, siamo stati per tre giorni in quella bella città, ma quanto la miniera non perché no ci sentivamo proprio bene.
      Bolivi è un paese molto interesante anche se molto diverso degli altri, ma che certamente merita molto rispetto dei suoi vicini.

  2. Gilberto disse:

    UFA, até perdi o fôlego, que aventura não?? Pessoal continuamos a segui-los, aguardando por novas aventuras, é isso ai, vamos em frente!!!
    abraços
    Giba e Taty

  3. Rodrigo Martins disse:

    Caramba, isso é que é historia, cara os pneus já estão acabando? Quantos kms já registrados? Seguir em frente até chegar ao Brasil, espero que até a COPA DO MUNDO vc esteja aki. Boa aventura, grande abraço a vcs.

    1. expedicaoih disse:

      Fala meu amigo,
      Já estamos 22.000km rodados e os pneus estão firmes e fortes, mas já estamos pesquisando para comprar três e substituir o quanto antes.
      Grande abraço!!!

  4. Graziella Rizzo disse:

    Amigos estamos curtindo tudo isso, sigam em frente e pé na tábua, beijos com saudades!!!
    Grazi, Sergio, Bruno e Thiago.

    Fiquem com Deus e boa sorte!

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