Primeiras impressões!

Quando ainda estávamos em San Pedro de Atacama cogitamos a possibilidade de irmos até a zona franca de Iquique (cidade mais ao norte do Chile) comprar três pneus. Nossa maior preocupação era perder a passagem pelo sul da Bolívia, um dos lugares com paisagens mais fascinantes da América do Sul, até poderíamos fazer o trajeto descendo, mas isto significaria atrasar em mais uns quatro dias nossa viagem e nós estávamos tão ansiosos por novidades que desistimos de ir a Iquique e rumamos para a Bolívia.

Despedimo-nos do Chile e voltamos a subir o Paso de Jama em direção a Argentina, mesmo caminho que fizemos quando fomos para o Atacama, só que desta pegamos a esquerda. A aduana fica bem próxima ao vulcão Lincancabur e neste local ela somente é responsável pelo controle de pessoas, o posto de controle do carro fica a uns 73km mais a frente. Já na entrada é possível se encantar com a Cordilheira e seus muitos vulcões, além da famosa Laguna Verde. Andamos mais um pouco e chegamos à entrada oficial da Reserva Nacional de Fauna Andina “Eduardo Avaroa” onde pagamos Bs150 cada um (o ingresso dá direito a quatro dias de permanência dentro da Reserva e a cotação estava em mais ou menos Bs1,00=R$4,00), deram-nos um mapa que indicava o lugar mais próximo para pernoitarmos e os caminhos principais, mas logo descobrimos que existiam várias bifurcações e não era tão simples assim circular por lá, mas fomos confiantes e enfrentando as “costelas de vaca” e as elevadas altitudes. Procuramos pelo posto de controle, mas nada, seguimos então o caminho para a Laguna Colorada onde ficam os alojamentos, perguntamos sobre o posto e um senhor nos informou que já tínhamos passado, mas que era melhor ficar e dormir e voltar no dia seguinte, pois com a noite chegando poderíamos nos perder, claro que aceitamos o conselho, logo vimos várias Land Cruises estacionadas e nos juntamos a elas, éramos os únicos ali com carro particular sem guia, todo o pessoal estava em tour.

Entramos e perguntamos se tinha lugar para dormirmos, pois, por mais que as estrelas sejam lindas vistas do deserto sabíamos que durante a madrugada a temperatura nesta época do ano estava beirando -10°C e não queríamos enfrentar este frio, uma senhora nos disse que poderíamos ficar por Bs60, e por sorte ficamos em um quarto sozinhos. O alojamento é bem precário, dois sanitários sem descarga para umas quarenta pessoas com um baldezinho para fazer o grosso descer, uma pia sem torneira e quartos coletivos, também não têm duchas para tomar banho, mas para nós foi como um oásis depois de sacudir tanto.

Em um dos grupos hospedados estava um casal de brasileiros de Belo Horizonte que viajava num tour que saiu de Uyuni, perguntamos quem era o guia deles e fomos pedir informações sobre a aduana do carro, José (o guia) muito atenciosamente sentou conosco e marcou todos os pontos de orientação no nosso mapa e disse que estaria saindo durante a madrugada para ver o Gêiser Sol de Mañana (já tínhamos passado por lá, mas com o calor o Gêiser fica fraco e não dá para observar praticamente nada) e que se quiséssemos poderíamos ir seguindo-o e ele nos mostraria onde deveríamos entrar, além disto, José assinalou todo o caminho que deveríamos percorrer pelo deserto até Uyuni. Aproveitamos para perguntar sobre os passeios do Salar e ele nos disse que estava com muita água e que somente um pequeno trecho estava liberado, mas disse para irmos à agência onde ele trabalha e nos informar sobre a possibilidade de irmos seguindo um carro.

No meio da madrugada bateram em nossa porta dizendo que era hora de partir, isto deveriam ser 05:00, fazia um frio de doer os cabelos. Tudo escuro, um céu lindo, e pela primeira vez o carro sentiu, demorou e muito para ligar, foi preciso insistir, depois de um tempo voltou a ficar animado e lá fomos nós atrás do José. O sacode do trajeto logo nos acordou de vez e dentro de alguns quilômetros estávamos admirando o primeiro gêiser de nossas vidas. Fantástico!

Nosso primeiro gêiser!
Nosso primeiro gêiser!

Ele também nos indicou onde era o posto e depois de agradecermos e nos despedirmos seguimos para registrar o carro conforme manda a lei, mas como só abria às 08:00 tivemos que ficar esperando por uns cinqüenta minutos. Quando abriram foram rápidos e muito simpáticos, explicamos que tínhamos entrado no dia anterior no país, mas que não encontrarmos o caminho, e de fato fica meio escondido. Deram-nos as papeladas e seguimos viagem pelo deserto. Todo momento cruzávamos com vários carros das agências de Uyuni, mas em certo momento do caminho não vimos mais ninguém e começamos a achar meio estranho, percebemos então que estávamos perdidos, o que nos tranqüilizava e era termos os dois galões de combustíveis cheios, além de ser cedo. Optamos então por voltarmos todo o caminho até o último local onde tínhamos visto carros e dali seguimos na direção contrária da que íamos.

Sul da Bolívia!
Sul da Bolívia!

Bingo! Conseguimos nos redirecionar e seguir viagem.

Vimos tantas lagunas e montanhas que ficamos atônicos com a beleza deste lugar, mas de repente uma blitz de homens vestidos com roupa camuflada e armados fazia sinal para pararmos com a arma apontada para nós, achamos bem estranho e muito agressivo. Paramos e vieram três homens pedir documentos e depois de fazerem algumas perguntas nos liberaram sem maiores problemas, ficamos chocados e assustados com o modo de abordagem, mais tarde em Uyuni ficamos sabendo que se trata da Narcotráfico do país que patrulha as fronteiras.

Foram quatorze hora dirigindo por esta bela região até chegarmos à Uyuni. O cansaço era grande e não tardamos a ir para o hotel dormir.

Acordamos e fomos direto à agência saber sobre os passeios e o José que já estava de saída para o deserto novamente disse que iríamos seguindo outro guia, o Dione. Tudo combinado o passeio sairia às 11:00 o que nos dava mais uma hora para abastecermos o carro e preparar os lanches. Chegando ao posto uma fila enorme na nossa frente, mas que por alívio é para os carros a gasolina, pontualmente estávamos de volta para seguir o guia e um grupo de sete pessoas que iam no carro com ele.

Ficamos impressionados com o número de carros que iriam fazer o passeio naquele dia, mas novamente éramos os únicos com carro particular.

Salar de Uyuni!
Salar de Uyuni!

Simplesmente lindo e diferente de tudo que já vimos! O Salar é de se perder de vista e realmente o volume de água era grande, passamos por trechos com até 30 cm, e mais para fundo a água atingia os motores dos carros e por isto não passavam dos pontos seguros. O carro foi bem, no final de preto virou branco, mas desenvolveu com perfeição, encontramos com vários brasileiros pelo caminho e fizemos amizade com o casal de argentinos Enrique e Silvana que estavam viajando de carro pelo Chile, Bolívia, Peru e Argentina, no final do passeio eles anotaram todas as dicas de passeios e hotéis que ficaram no Peru e nos passaram alguns mapas para o GPS, depois disto nos despedimos e eles seguiram para Potosí, nós também estávamos indo para lá, mas já era tarde e não queríamos arriscar uma estrada desconhecida, insistimos para eles irem no dia seguinte conosco, mas estavam já com tudo no carro e deixaram o endereço do hotel para nós nos hospedarmos também lá e seguiram viagem.

BLOG BOLIVIA TREM
Cemitério de trens!

Uyuni foi nossa primeira cidade na Bolívia e temos que confessar que foi um tanto chocante, a cidade é bem simples e com muito lixo por todas as partes, faltam cuidados com os alimentos (carnes são expostas em meio as calçadas sem nenhuma refrigeração ou proteção, as pessoas que vendem comidas jogam panelas e mais panelas de óleos no meio das ruas), o trânsito é caótico, as condições de saneamento básico são precárias, mas foi aqui também que pela primeira vez vimos uma cultura com tradições tão afloradas. Por todos os lados víamos as mulheres com suas roupas tradicionais, crianças nas costas enroladas em panos coloridos, chapéu-coco e suas longas tranças. Com relação às pessoas a nossa primeira impressão foi de gente tranqüila que fala baixo e disposta a ajudar.

A Bolívia significou uma nossa etapa em nossa viagem, não só pelas diferenças culturais, mas também pelas dificuldades impostas pela altitude e clima, que nesta época do ano é seco e frio.

Esperando a aduana abrir para registrar o carro no deserto de Sud Lipez.
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1 comentário Adicione o seu

  1. Dani disse:

    Cari amici, vedo con piacere che il vostro viaggio prosegue nel migliore dei modi. L’altopiano dei laghi colorati e del Salar di Uyuni è stato per me un luogo magico, in cui se potessi tornerei domani stesso. Spero lo sia stato anche per voi.
    Un abbraccio
    Dani

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