Troller vai para Miami!

No dia seguinte ao que chegamos a Cartagena, fomos procurar pelo agente aduaneiro (Luís) que estava tratando da papelada para nós e com quem vínhamos mantendo contato via e-mail, e ele nos informou que em três dias deveríamos embarcar o carro. Aproveitamos este curto tempo para comprarmos nossas passagens aéreas para Miami.
Um dia antes do embarque recebemos uma ligação no hotel do Luís perguntando se aceitaríamos dividir nosso container com um casal de búlgaros que viajava em uma Kombi motorhome, e claro que aceitamos, isto representaria uma economia significativa em nosso orçamento. Então ficou combinado que eu (Leo) estaria as 7:00h no escritório dele para seguirmos juntos em direção ao porto. Infelizmente o Luís disse que só o proprietário do carro poderia entrar e a Dani teve que ficar no hotel.
Dia do embarque levantei às 06:00h e fui direto para a agência, estacionei o carro e fui conversar com o búlgaro (Ross) que estava com sua esposa (Albena), dali seguimos junto com a esposa (Sonia) do Luís para o porto. Chegamos em 30 minutos e tivemos que entrar em uma fila de carros esperar que nos mandassem entrar. Por volta das 10:00h a Sonia volta e diz que ainda iria demorar, porque não tinham muitos policiais para vistoriar os muitos containers que tinham acabado de chegar, nos sugeriu deixar os veículos ali e voltar lá pelas 14:00h, achamos melhor ficar do lado dos nossos carros.

Pronto para embarcar, e vai sujo mesmo!
Pronto para embarcar, e vai sujo mesmo!

Só nos restava esperar, por mais que aquilo nos parecesse absurdo, pois para quê eles fazem agendamento então?!
Ficamos quatro horas embaixo de um sol de 40 graus até que a Sonia voltou dizendo que iria demorar ainda mais. Fiquei “P” da vida, com o descaso conosco, que falta de profissionalismo desta gente do porto, mas tudo bem, estávamos decididos a não arrastar o pé dali enquanto o carro não fosse despachado para Miami. A única coisa boa nestas muitas horas é que tive o prazer de conhecer melhor o Ross e a Albena, e desfrutar de bons papos e histórias sobre as estradas.
Três horas depois…
Volta o Luís dizendo que estava preocupado, pois os policiais não lhe davam uma posição sobre quando iriam iniciar a vistoria de nossos carros e que o navio partiria naquele mesmo dia, ou seja, estávamos correndo o risco de perder o embarque!
Eu falei com o Luiz: eu e o Ross vamos fazer uma pressão, vamos procurar alguém que possa resolver esta situação ridícula!
Saímos entrando nos galpões procurando os policiais e achamos dois dentro de uma salinha conversando no ar condicionado. Maravilha!!!

Esperando a liberação do Troller no porto!
Esperando a liberação do Troller no porto!

Fomos logo perguntando: e aí vamos trabalhar?
Na hora deram um pulo de suas cadeiras e falaram, sim senhor, claro, estávamos aguardando, onde estão os carros dos senhores? Podem estacionar aqui na sombra para fazermos a vistoria, assim vocês saem deste calor! Só não ri porque não estava certo de se tratar de uma piada!
Chegaram perto do carro do Ross e falaram: tirem tudo do carro!
Pensei comigo: caramba, eles tem uma casa e não um carro e terão que retirar tudo, isto vai levar mais um dia! Mas não teve jeito, arrumaram uns plásticos, forraram o chão e começaram a tirar as coisas…
Eu queria esperar que eles terminassem a vistoria deles para poder fazer a minha, assim eles poderiam me ajudar a olhar meus pertences, mas logo veio outro policial pedindo para que eu começasse a fazer o mesmo. Tenho comigo que se a Dani tivesse vindo eles a deixariam entrar, mas enfim, já não adiantava mais lamentar por isto.
Um militar começou a olhar as coisas, abrir as bolsas, olhar o carro, até que pegou a minha câmera fotográfica e começou a tirar fotos, uma, duas, três… falava com outro militar rindo, depois me perguntou quanto custava. Agora me digam que relevância tem isto? Eu não podia acreditar! Cheguei perto dele e falei: o que você pensa que esta fazendo?
Ele falou: é que eu tenho que ver se esta funcionando, se não é de mentira (eu até acredito que esta medida seja necessária, pois os narcotraficantes devem fazer de tudo para passar drogas, mas é lógico que não era o nosso caso).
Então retruquei: para você ver se esta funcionando basta uma foto! Já viu que não tem nada de ilegal aí? Já acabou? Ele mudou o comportamento, parecia ter ficado sem graça e guardou a câmera na mochila de onde a tirou.
Continuou a inspecionar o carro e eu não tirei mais os olhos de cima dele. Era muita coisa para ver, e já estava exausto das horas de espera!
Depois de ter revistado muitas coisas, ele se esqueceu que já tinha visto a mochila e a estava abrindo de novo! Então estourei: o que você deseja, tirar mais fotos?
Ele lembrou e sem graça de novo pediu desculpas.
Às 19:00h, depois de tanto desgaste mental e físico, fechei o lacre do container e disse até logo ao Troller, parecia mentira que tinha terminado. Tratei logo de ligar para a Dani que estava no hotel até agora sem saber uma notícia.
Tínhamos mais um dia para ficar na Colômbia antes de partirmos para Miami, e em nossa última noite decidimos fazer a Rumba em Chiva (chiva é um ônibus todo colorido parecido com nossos trenzinhos que passeiam pelas cidades) e conseguimos fechar com chave de ouro: FOI UMA BOMBA! Rumba em Chiva nunca mais!
Quando todos os problemas já pareciam ter sidos solucionados, eis que chega a hora do nosso embarque e a cabeça doeu mais uma vez, mas este é um episódio para outro post!
Foi demais para um único dia!!!

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3 comentários Adicione o seu

  1. Rodrigo Martins disse:

    Caramba cara, mais de 12 horas só para embarcar o carro, é “F”, nesse tempo eu percorri de carro uns 1000KM quando fui para Salvador-Bahia, mas fica tranquilo que tudo vale a pena. Por que foi uma bomba Rumba em Chiva? quero detalhes. Espero que tudo esteja bem. aguardo as novidades.

    Grande abraço T+.

  2. gilberto disse:

    Caramba por que resolveram embarcar direto para Miami? Não dava para seguir pela America Central? tem planos para este roteiro?
    abçs
    Gilberto

    1. expedicaoih disse:

      Olá Gilberto,

      Resolvemos embarcar direto para Miami porque ficamos mais tempo do que o esperado na América do sul e não gostaríamos de perder o sol lá em cima e nem ter que passar pela América Central correndo na subida. Na volta iremos demorar bem mais no “meio” das Américas para compensarmos esta mudança de planos.
      Abraços!

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