Chuva, frio e Dawson City!

Nossos dias seguintes de viagem desde Prince Rupert até Whitehorse foram um tanto “molhados”!

Chegamos a Prince Rupert num dia lindo, perfeito para fazer o tour das baleias, fomos procurar informações nas agências e descobrimos que todas já estavam lotadas, o jeito foi fazer uma reserva para o tour das 08:00h do dia seguinte. Acampamos perto do porto o que nos rendeu uma noite inteira de buzinas náuticas!

Aproveitamos para assistir Tropa de elite 2 e logo que acabou o filme, fomos ao banheiro e descobrimos que o tempo tinha mudado, começou com uma chuva fina que foi só piorando. Já de manhã levantamos e preparamos tudo para o passeio, mas eles tiveram que cancelar. Disseram que poderíamos fazer o da tarde se o tempo melhorasse, mas de acordo com o canal climático a previsão era de mais 5 dias de muita chuva. Achamos melhor seguir, pois poderíamos vê-las em outro lugar.

Chegamos a Steward ainda do lado canadense debaixo de muita chuva, a cidade parecia abandonada! Alguns canadenses tinham nos recomendado ir ali visitar os glaciares e assistir de uma plataforma os ursos pescando, e claro que tudo isto nos pareceu fantástico. Decidimos que seria melhor dormir em um hotel. Fomos ao supermercado comprar comida e tivemos que voltar com as mãos vazias, pois eles só aceitavam dinheiro, e os dois únicos caixas eletrônicos da cidade estavam fechados. O jeito foi levar nosso fogãozinho para dentro do hotel e preparar um arroz com tomate e farofa no banheiro (ninguém queria correr o risco de incendiar o carpete do quarto), tudo o que tínhamos na nossa reserva!

Levantamos e nada da chuva dar trégua, fomos assim mesmo percorrer a Glacier Hwy, uma parte dela passa pelo Alasca e outra pela Canadá. Certamente teria sido um dos lugares mais bonitos que visitamos até agora, isto se o tempo tivesse nos permitido deslumbrar as paisagens, nem os ursos estavam lá pescando, e a senhora que estava de serviço no parque disse que eles não apareceriam enquanto chovesse forte, ou seja, por mais uns quatro dias. Tiramos algumas fotos e o que vimos nos deixou com água na boca, o Salmom Glacier pode ser visto da estrada, e é bem extenso, haviam muitas pessoas fazendo tour por lá e no final todas com uma feição de lamento, incluindo nós!

Novamente seguimos pelas estradas, paramos para dormir em dois campings antes de chegarmos à Whitehorse, e descobrimos o quanto é deserta esta parte do país, pelo menos é tudo muito bem sinalizado, toda vez que você passa por um vilarejo existe uma placa informando qual a distância do próximo posto para abastecimento, e assim você não fica sem combustível na estrada, simples e eficiente. Foi em um destes campings que conhecemos um senhor de Oregon, EUA, que nos presenteou com um saco de Sticks cheese, disse que era bom para se manter acordado nos dias chuvosos, o que descobrimos ser verdade em poucos quilômetros.

Paramos por duas noites em Whitehorse, conferimos os pneus, trocamos um relê queimado e seguimos para Dawson City. Os dias de chuva foram ficando para trás e o sol voltou a nos aquecer, na estrada vimos lagos cristalinos, montanhas cobertas de pequenas flores e alguns pequenos animais. A primeira coisa que pensamos ao chegar lá foi de que ainda bem escolhemos este destino, porque apesar de pequeno o lugar é encantador.

Quando chegamos a Dawson não imaginávamos quantas surpresas nos aguardavam, e este foi o melhor capítulo desta primeira parte no Canadá.

Yucon River e nosso próximo destinho - Alasca!
Yucon River e nosso próximo destinho – Alasca!

Armamos nossa casa e fomos ao Dome Road, um mirante de onde se pode ver toda a cidade. Assim que encostamos o carro veio um senhor perguntar em português se éramos brasileiros! Parecia mentira, nós ali nos confins encontrar uma família de São Paulo viajando pelo Canadá em um RV. Ficamos um bom tempo conversando, e eles nos deram o endereço onde vivem em Toronto, quando estivermos mais perto entraremos em contato. Eles partiram e enquanto tirávamos fotos um cachorro se aproximou, poderia ser apenas um cachorro, mas este estava com o focinho cheio de espinhos, certamente tinha sido atacado por um porco espinho. Eram enormes e o pobre do bichinho ficou ali rodeando a gente como se pedisse ajuda, por fim ele deitou perto do carro e não saía de jeito nenhum. Sabíamos que tínhamos que ajudar o animal ou certamente ele morreria de alguma infecção. Leo pegou as nossas luvas de couros e disse que seguraria o cachorro para eu retirar os espinhos, confesso que estava com muito medo da reação dele, e não tinha coragem, achamos melhor ficar ali esperando chegar mais gente e pedir ajuda. Dentro de uns 10 minutos encostou outro RV e fomos logo cercando o pessoal e explicando a situação, era um casal de alemães. Eles se aproximaram e viram a situação do animal, o homem colocou as luvas e disse que ajudaria. Leo montou sobre o cachorro e segurou a boca dele, o alemão começou a tentar retirar, mas eram duros demais, não saíam, ele disse que não tinha como, Leo não largou o bicho e teve a brilhante idéia de me pedir o alicate que temos na caixa de ferramenta, o que  foi a salvação! O alemão conseguiu ir tirando devagar os espinhos, eu e a esposa dele ali dando os instrumentos cirúrgicos e muito angustiadas com a cena, cada vez que retirava um espinho sangrava muito, e nós sempre com receio da reação do cachorro, assim que terminou o sofrido processo e Leo foi soltando-o e ele sequer saia debaixo das pernas dele, lambia muito o focinho e as mãos do alemão e do Leo, dava para ver a gratidão nos olhos dele. Mas quando tudo parecia ter terminado Leo viu espinhos dentro da boca do cachorro, e novamente a dupla Brasil e Alemanha voltaram aos processos. Correu tudo bem, eles executaram os serviços com sucesso!

O cachorro queria de qualquer modo entrar no RV deles, e na hora em que partiram ele foi correndo na frente do carro, nós ficamos mais alguns minutos, depois tomamos o caminho para o camping, e a surpresa foi, o cachorro estava correndo ainda seguindo o carro que já não era mais possível acompanhar. Leo resolver colocar o bichinho dentro do nosso carro e deixá-lo na cidade, assim teria mais chances de encontrar comida, mas na hora que paramos para soltá-lo olhei para minha calça e ela estava cheia de sangue da pata dele, logo imaginamos que deveria ter algum espinho ali, mas desta vez ele saiu correndo, acho que farejando o rastro do xixi que tinha feito no carro dos alemães. Acredito que tenha ficado bem, nós torcemos para isto!

Mais Dawson!
Mais Dawson!

Dia seguinte partimos em direção a Top of the world road e assim que entramos na fila para esperar o transbordador fomos perguntar ao pessoal do carro da frente em média qual o tempo de espera e o casal norte-americano que estava dentro do carro desceu para batermos um papo ali enquanto aguardávamos. A travessia durou 3 minutos apenas e assim que chegamos do outro lado o mesmo casal parou o carro deles e nos chamou, agora vocês não irão adivinhar para quê! Deram-nos dinheiro, isto mesmo, dinheiro, disseram que era uma forma de contribuírem com a realização do nosso sonho!

A deserta Dawson city!
A deserta Dawson city!

Não saberíamos dizer quantas pessoas existem neste mundo, quantos querem ajudar, se tornarem amigos, mas podemos garantir que certamente o número de bons supera em muito os dos maus. Cada um ajuda como pode, seja dando dinheiro, comida, abrigo, descontos, dicas, ou um simples aperto de mão de boas vindas, são gestos que valem todo o esforço para estarmos hoje realizando esta viagem.

Dawson City nos ensinou muito, como tem sido toda a trip, esperamos ter a oportunidade de retribuir cada gesto deste com outras pessoas que cruzarem nosso caminho, e assim criar uma verdadeira corrente do bem!!!

Salmon Glacier!
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5 comentários Adicione o seu

  1. Fernanda Pecego disse:

    O bem sempre prevalece…beijos nos dois!!

  2. RODRIGO MARTINS disse:

    Coleira para cachorro, R$ 20,00
    Saco de ração, R$ 30,00

    Encontrar pessoas com coragem e disposição para ajudar um cão desconhecido, NÃO TEM PREÇO.

    Pessoas boas atraem pessoas boas, boa sorte no frio.
    abraços para aquecer o coração de vcs. T+

  3. Fred Almeida disse:

    Simplesmente FANTÁSTICA EXPERIÊNCIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Terão histórias para contar até o fim de suas vidas.
    Abraços

  4. Reinaldo disse:

    Leó, imagino sua mãe pensando: bem que ele poderia ter trazido o cachorrinho para gente, rs.

  5. James disse:

    Olá, bom receber noticia sobre o rastro bom q deixamos em nossa viagem.
    Quando encontrarem outros, nos digam, obrigado.
    Aliás, voltaremos pra ai em dezembro proximo, as motocicletas já chegaram.
    James e ELis – Vôo LIvre – Telêmaco Borba – Paraná – Brasil.

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