O lado francês do Canadá!

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Novamente estávamos cruzando a fronteira entre Estados Unidos e Canadá e tudo correu de forma tranquila como sempre. O primeiro destino nesta última etapa canadense eram as cataratas do Niágara e no caminho demos uma passada em Stratford, cidade que exibe um dos mais importantes festivais do Canadá, o Stratford Shakespeare Festival onde várias peças teatrais são apresentadas de abril à novembro, não somente de Shakespeare, mas também gregas e contemporâneas.

Chegamos às cataratas à noite e por um equívoco (o camping mais perto que nosso GPS indicava, estava do lado americano e não canadense) voltamos para os Estados Unidos, a maior novidade para nós foi que no momento de entregarmos os passaportes para o agente aduaneiro, a janela do motorista abriu e não fechou mais, tivemos que retirar o forro da porta e levantar o vidro na mão.

Era sábado e nossa maior preocupação era arrumar o vidro então fomos à busca de uma oficina aberta. Rodamos por umas três antes de encontrarmos uma que estivesse funcionando, lá depois de desmontarem o sistema elétrico descobriram que precisávamos de um motor novo, já que a pequena peça que quebrou não vende avulsa. A solução que o mecânico nos deu foi de colocar uma barra para manter o vidro fechado, não ficamos satisfeitos com a solução, mas acabamos aceitando a sugestão devido as circunstâncias e deixamos para tentar comprar o motor em Toronto.

Já de volta ao lado canadense e com o vidro do motorista definitivamente fechado (ou seja, sem poder abrir), vimos então de longe e também escutamos as cataratas do Niágara. As cataratas são quedas naturais, embora grande parte do volume de água do rio Niágara seja desvio para turbinas de hidroelétricas, que atendem tanto Estados Unidos quanto ao Canadá, antes de retornarem ao seu curso normal. É sem dúvida uma vista e tanta, principalmente do lado canadense, sabemos que para nós brasileiros não será nada comparado à Foz do Iguaçu, mas ainda sim merece a visita. As chamadas cataratas do Niágara é um conjunto formado por três cataratas: Cataratas Bridal Veil, Cataratas Americanas e Cataratas Canadenses, sendo esta última a maior.

Cataratas do Niágara!

Fomos das belezas das cataratas para a maior cidade do Canadá, Toronto, famosa mundialmente pelo seu caráter multicultural Toronto atrai não somente imigrantes do mundo todo como também estudantes. Foi um tanto complicado encontrar um hotel dentro do nosso orçamento e temos que confessar que o lugar onde ficamos somado as dificuldades em conseguir uma oficina que resolvesse o nosso problema, contribuiu e muito para a impressão não boa que ficamos da cidade.

A primeira coisa que queríamos fazer na cidade era solucionar definitivamente a questão do vidro e o barulho que surgira (quando troca de marcha) há quatro dias, mas que até então não demos muito importância até que foi aumentando. Sem exageros, estivemos em cinco oficinas, inclusive grandes, e depois de esperar em média 1 hora em cada para receber apenas um formulário para colocar os dados do carro e do proprietário, a resposta era sempre a mesma, não temos tempo, estamos cheios de trabalho e não poderemos ajudar, isto quando eram educados, porque das cinco, quatro sequer responderam, simplesmente largavam o formulário e sumiam, ou então falavam, pode entrar com o carro e continuavam conversando ou trabalhando em outro veículo, até que nos enchíamos e íamos embora. Tentamos novamente no dia seguinte em outras oficinas, mas não foi diferente, até que desistimos de fazer algum reparo por lá e fomos passear pela cidade.

Primeiro local que fomos conhecer foi o Old City Hall, este prédio já foi a antiga prefeitura da cidade, depois demos um pulo na Casa Loma que não entramos porque estava tendo um evento privado, um pouco do que existe de cultural e interessante nesta metrópole pode ser visto no Royal Ontario Museum, por fim chegamos aos pés da CN Tower e optamos por não subir. Faltou para nós em Toronto um pouco mais de sorte quanto a hospedagem e recursos que precisávamos para reparar o carro, isto acabou tirando o foco principal da nossa visita a esta cidade, de qualquer modo esperávamos um cidade mais limpa e enquanto caminhávamos pelo centro vimos muitos pedintes e lixo. Para nós a melhor coisa em Toronto foi o calorzinho que sentimos, coisa rara em nossa viagem pelo Canadá, mas teremos o prazer de dar uma segunda chance a cidade e a nós de descobrirmos em uma outra ocasião o melhor que ela pode oferecer a um visitante!

A caminho de Ottawa, próxima cidade da nossa lista, vimos na estrada uma pequena oficina e resolvemos tentar a sorte, por incrível que pareça, com menos recursos, mas com boa vontade, eles diagnosticaram o problema que estava causando o tec tec na troca de marca e conseguiram uma peça compatível para substituir a ruim, era cruzeta! Quanto ao vidro, não encontramos um motor similar e seguimos com a barra de ferro sustento-o para não abrir.

Ottawa é a capital do país, faz fronteira com o estado de Quebec e foi a última cidade “inglesa” que visitamos no Canadá. Nossa caminha começou pela Wellington Street onde ficam os prédios governamentais com uma arquitetura bem interessante. Seguimos margeando o rio até o Major’s Hill Park onde se tem um panorama diferente da cidade, perto daqui está o National Gallery of Canada com um interessante acervo de obras contemporâneas, na parte externa está a obra da artista francesa Louise Bourgeois, chamada Maman que representa um grande aracnídeo conhecido no mundo todo, atravessando a rua está a Notre Dame Cathedral Basilica, tudo muito perto. Já estava na hora de forrar a barriga e distantes uns dois blocos estava o ByWard Market, onde vários agricultores da região montam suas tendas, é um local com grande variedade gastronômica e fácil de agradar a todos e melhor ainda se você encontra um prato bom e barato!

Loja tradicional no ByWard Market!
Abóboras divertidas no ByWard Market!

Saímos de Ottawa e fomos até St-Jovite e de lá para Montreal pela Rota 117 onde as montanhas estavam totalmente coloridas, verde, amarelo, vermelho e laranja exatamente o que esperávamos deste lugar. Bastou cruzarmos o rio Ottawa e tudo mudou como se tivemos saída da Inglaterra e entrado na França, mas foi somente quando chegamos a Montreal que tivemos de fato o primeiro contato com a língua francesa. Depois de Paris esta é segunda maior cidade do mundo com falantes desta língua, mas não tivemos dificuldades em encontrar pessoas que falassem inglês, sobretudo nos comércios e áreas turísticas.

Vieux Montreal!

Montreal é uma ilha e seu nome é uma variação de Mont Royal um morro que fica na cidade. Gostamos muito de visitar primeiramente o centro histórico de cada lugar e o ponto de partida foi a Vieux Montreal (velha Montreal) junto ao rio Saint Laurent. Lugar agradável com muitos prédios históricos, praças e museus, um dos locais mais procurados é a Basilique Notre-Dame de Montréal com shows noturnos de luz. No Parc Jean-Drapeau, na Île Sainte-Hélène fica o Biosphère Museum (Museu do Meio Ambiente) uma estrutura de aço vazada em forma geodésica abriga interativas amostras sobre o meio ambiente, sobretudo de ecossistemas da Região dos Lagos.

Vieux-Montréal!

Um lugar no mínimo engenhoso para se visitar é a cidade subterrânea, são mais de 30km de tuneis que interligam shoppings, prédios comercias e até residenciais, é possível encontrar de tudo por lá, o lugar é muito frequentado no inverno quando as temperaturas nas ruas “convencionais” ficam abaixo de zero. Nós acabamos por dispensar a visita ao local, apesar de parecer curioso, mas queríamos mesmo é estar por cima!

É verdade mais que comprovada que o tempo voa quando estamos nos divertindo e Montreal passou como um sopro, mas não tinha terminado não antes dar uma ida ao Le Stade Olympique  construído para as olimpíadas de 1976. Já perto do estádio é possível ver a torre que marcou os jogos deste ano, mas ela também relembra o quão indigesto foi para Montreal e para o Canadá o fracasso de sua participação e a contração de uma bilionária divina que só foi quitada após algumas décadas.

Le Stade Olympique!

Despedimo-nos de Montreal com gostinho de quero mais, porém o destino seguinte era mais desejado então superamos logo as saudades. Quebéc, era aqui que queríamos chegar, realmente a cidade mais esperada deste lado do país, novamente com frio, chuva e vento, e um sol tímido que aparecia em intervalos curtos para alegrar nosso passeio por esta charmosa cidade.

Diferente de todos os outros centros urbanos que visitamos, Quebec é sem dúvida especial e para nós a mais europeia das cidades canadenses. A cidade fica às margens do rio São Lourenço, sua parte histórica é dividida em cidade baixa e cidade alta. Uma caminha pelo Place Royale (considerada a colônia francesa mais antiga das Américas) na cidade baixa proporciona uma experiência de volta ao tempo, já o Quartier Petit Champlain com suas ruas estreitas de paralelepípedos, butiques, cafés, creperias e chocolaterias excepcionais, é considerado o mais antigo distrito comercial da América do Norte. Na parte alta a vista é incrível e dá para ter uma ideia melhor de como o outono transforma as cidades do Canadá em poesia, principalmente depois de se deparar com o Fairmont Le Château Frontenac, um hotel-castelo de 1893. Não muito distante está La Citadelle, uma guarnição militar ativa murada em forma de polígono representando uma estrela, uma parte imperdível da história de Quebec.

Fairmont Le Chateau Frontenac Hotel!

 

Rue Sous-Le-Fort na velha Quebec!

Nossas caminhas por Quebec nos revelaram seus pequenos segredos e seus grandes encantos, partimos com motivos de sobra para retornarmos.

Nosso roteiro inicial previa uma visita à região da Nova Escócia, mas tivemos que abandonar o plano e seguir para o estado de Maine nos Estados Unidos, nosso tempo está passando, cada vez mais ficando frio e nossa atenção se volta para os parques do sudoeste, então Nova Escócia ficará para uma próxima visita e no alto verão de preferência, amamos as cores, mas dispensamos o frio que as acompanha, então rumo ao sul!

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9 comentários Adicione o seu

  1. Eliane disse:

    Pessoal, como sempre, me encanto com cada descrição da viagem de vocês.

    Gostei de vê-los (acho que o Leo, ganhou uns quilinhos) na foto do Niágara.

    Que bom que tudo esta se ajeitando.

    Bom regresso e grandes aventuras.

    1. expedicaoih disse:

      Olá Eliane,

      Ficamos felizes que esteja gostando, estamos tentando te convencer a vir passear pelas bandas de cá!
      Quanto ao Leo, realmente ganhou uns quilinhos 🙂
      Beijo grande

  2. Luana Martins disse:

    Meu Deus quanta beleza, adorei as fotos,principalmente a das cataratas do Niagara, como vcs estao bem…to muito feliz ….este é um momento unico na vida de vcs…um abraçao …Luana.

    1. expedicaoih disse:

      Luana querida,

      Nós também ficamos muito felizes em ter sua amizade.

      Grande abraço!

  3. Alejandra disse:

    Chicos como siempre, un placer seguirlos! Muchos cariños desde el sur!
    Rodolfo y Alejandra
    Sierra de la Ventana
    Argentina

    1. expedicaoih disse:

      Hola alejandra y Rodolfo,

      Es para nosostros un gusto tenerlos como amigos!

      Saludos!!!

  4. RODRIGO MARTINS disse:

    Cataratas do Niágara!

    Me lembra sempre um desenho do Pica-pau onde os personagens desciam num barril de madeira. Léo mulher não perdoa, se ganhar uns quilinhos elas percebem rapido, até por foto. Vida de turista é assim mesmo, muita degustação das comidas locais.

    Tudo de bom pra vcs, as fotos são incriveis, grande abraço T+.

    1. expedicaoih disse:

      Olá querido!

      Pica-pau descendo no barril, só vc mesmo para buscar está no fundo do baú, gostava também deste episódio 🙂
      Quanto aos quilinhos, eu perdoo – Dani! rsrs

      Beijo grande!

  5. monica disse:

    Nossa quanta coisa voces relataram vou ter que reler para saborear mais das experiencias de voces que estao cheia de lugares inusitados ….
    Obrigda por ter esse site muito lindo e fotos maravilhosas falando disso conseguiram reaver o tripe da camera?
    Bom voces sempre podem comprar outro ai na terra do tio Sam.
    Bem queridos aproveitem a vida porque o que se leva da vida e’ a vida que se leva ….
    Com certeza voces sabem disso bjs tia monica

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