Em direção à capital e os problemas com o carro!

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Saímos de NY no meio da tarde com a intenção de chegarmos até Filadélfia no estado da Pensilvânia, mas mudamos de ideia no meio do caminho e fomos dormir em Lancaster cidade onde vive a maior e mais antiga comunidade Amish dos EUA. Os Amish representa um grupo religioso com base cristã conhecidos pelo estilo de vida simples, vestimentas lisas (sem estampadas ou variações de cores) e distanciamento das tecnologias. Priorizam a família e não se casam com pessoas que não sejam da mesma religião. Não raramente famílias inteiras vestidas de preto cruzam as rodovias em carroças, realmente um mundo a parte.

Já de volta ao mundo do corre-corre seguimos para a Filadélfia na manhã seguinte.

Filadélfia foi bem diferente de todos os outros lugares por onde já tínhamos passado, infelizmente aqui vimos de forma bem marcante os problemas raciais entre os negros e brancos, existem bairros distintos e o índice de violência é bem alto, mas também é uma cidade interessante cheia de histórias e atividades culturais.

O primeiro lugar que visitamos foi o Independence Hall, foi neste prédio em 1776 que a Independência dos Estados Unidos foi declarada, hoje é considerado Patrimonio Mundial da Unesco e fica aberto à visitações. Do outro lado na rua está o Liberty Bell (Sino da Liberdade)  atualmente inativo devido a uma grande fenda, este sino convocou todos os cidadãos da Filadélfia em 08 de julho de 1776 para a leitura da declaração de Independência.

Liberty Bell!

Cenário do famoso filme do Rocky Balboa o Philadelphia Museum of Art além de um rico acervo oferece um das mais belas vistas da cidade. Vimos pelo menos umas vinte pessoas subindo o “Rocky Steps” (nome popular da escadaria onde o personagem Rocky sobe correndo) e vibrando com os braços erguidos na chegada, Leo não ficou de fora!

Pegadas do Rocky!

Ainda no circuito cultural vale citar o Rodin Museum que possui o maior número de obras do escultor Auguste Rodin fora da França e o bizarro Mütter Museum com amostras patológicas, más formações, modelos de ceras e equipamentos médicos antigos, o museu faz parte da Faculdade de Medicina da Filadélfia, as pelas originais foram doadas pelo Dr. Thomas Dent Mütter para pesquisa médica e educação, hoje é uma sessão aberta a todos que não ficam facilmente “impressionados”.

O centro histórico tem prédios oponentes como o Philadelphia City Hall e o Masonic Temple. A algumas quadras do centro fica a rua mais antiga da cidade a Elfreth Alley Street que revela toda beleza e charme de outrora.

Philadelphia City Hall!
Masonic Temple!
Elfreth Alley Street !

Já a caminho para a capital encontramos um camping e decidimos ficar por lá, dificilmente encontraríamos algo mais em conta, e o frio tinha se tornado suportável novamente.

Washington, D.C. é uma cidade monumento, planejada pelo engenheiro francês Pierre Charles L’Enfant e com localização escolhida a dedo. Nossos passeios ficaram resumidos às áreas dos museus, monumentos e o rio Potomac.

Um dos lugares mais promissores é o National Mall, esta é área aberta oferece uma enorme variedade de museus com entradas gratuitas. Os que mais gostamos foram do National Air and Space Museum, do National Museum of the American Indian, e do Holocaust Memorial Museum.

National Museum of the American Indian!
Holocaust Memorial Museum!
Campo de Estrelas de Ouro no WWII Memorial! Cada estrela representa 100 vítimas, ao total são 4.000 estrelas...

No primeiro você pode comprar comida do espaço, exatamente as mesmas que os antigos astronautas comiam e ver expostos vários modelos de aeronaves, no segundo existem diariamente apresentações de música e dança dos povos indígenas americanos, além das exposições de artesanato e artes, já o do Holocausto retrata a história de milhares de pessoas assassinadas no período da Segunda Guerra Mundial pelos nazistas, o museu possui teatros onde são exibidos filmes e depoimentos de sobreviventes, há também uma lista com os nomes das famílias para consultas, sem dúvida foi comovente a visita a este Memorial.

Segundo dia reservamos para os monumentos e memoriais nacionais, o primeiro que visitamos foi o Thomas Jefferson Memorial, depois o Franklin Delano Roosevelt Memorial, Martin Luther King Jr. Memorial, Lincoln Memorial, Korean War Veterans Memorial, Vietnam Veterans Memorial, World War II Memorial, e por último o Washington Monument. Todos ficam a uma curta distância entre si  numa caminhada agradável.

Thomas Jefferson Memorial!
Martin Luther King Jr. Memorial!

A partir do Lincoln Memorial se tem uma visão clara e direta do Washington Monument (obelisco) este último elemento dominante na paisagem. Este dois cenários são famosos em filmes como Planeta dos Macacos onde o Lincoln Memorial aparece no final, e no Forrest Gump onde o personagem Forrest faz seu do discurso pós guerra. Ainda na mesma linha reta destes dois símbolos nacionais está o United States Capitol (Capitólio) sede do Congresso Nacional este edifício branco muitas vezes é confundido com a Casa Branca, até mesmo por alguns americanos. Bem próximo daí fica a White House, sempre rodeada por muitos fotógrafos profissionais e visitantes.

Pato-trombeteiro se refrescando no lago em frente ao Capitolio!
Washington Monument ao fundo com o espelho d'água em manutenção!
Lincoln Memorial

Nossos dias em Washington chegaram ao final, aproveitamos os lindos dias de sol e as cores de outono para darmos adeus a nossa bateria pelas grandes cidades do leste, já estávamos com saudades de uma paisagem natural e a melhor opção era o Shenandoah National Park e Blue Ridge Parkway, mas tinha uma coisa que estava nos preocupando, uma fumaça branca tinha começado a sair pelo cano de descarga desde Lancaster, o que nos parecia a princípio ser apenas o intenso frio.

A entrada mais perto para o Shenandoah era a partir da pequena Front Royal e era para lá que estávamos indo num sábado à noite quando o carro começou a perder força e a soltar uma fumaça no capô. Paramos para ver qual era o problema e a mangueira do radiator tinha estourado, em momento algum a temperatura do carro subiu apenas o sistema cortou a força para proteger o motor. Sempre temos no carro um galão de 20l de água e como havia uma cidade há 20km resolvemos ir a 30km/h colocando água sem parar até a cidade. Incrivelmente todas as vezes que tivemos problemas com o carro era final de semana, e isto nos EUA é muito ruim, na verdade é péssimo, porque definitivamente ninguém te atende. Nos 20km nossas cabeças ficavam buscando soluções rápidas e quando nos aproximamos da cidade vimos um posto onde também funcionava uma oficina, já eram quase 22h quando um mexicano que trabalhava no posto perguntou no que poderia nos ajudar, explicamos a situação e ele foi na oficina voltando poucos minutos com um mecânico nicaraguense que disse que faria o serviço. O termômetro do local marcava 27°F, ou seja, -2.7°C frio demais, segundo problema, não tinham a mangueira para o nosso carro e ele prestativamente confeccionou uma artesanalmente. Na hora de testar, Bingo! A engenhosidade do amigo latino nos tirou das estradas num sábado abaixo de zero. O nicaraguense não somente solucionou nosso problema como nos deu de presente todas as suas 2h de serviço, ele não aceitou o pagamento de maneira alguma, disse que isto poderia acontecer com ele e que gostaria de receber a mesma ajuda que estava nos oferecendo. Não tínhamos palavras para agradecer, e certamente está se tornou nossa primeira impressão sobre a Nicarágua, mesmo sem ainda termos pisado lá!

Conseguimos chegar à Front Royal sem mais problemas.

Manhã do dia seguinte na hora de ligar o carro a tal fumaça branca já não era mais uma fumacinha e tampouco surgia só na hora de ligar, pelo contrário, fomos do hotel até o centro de informações turísticas e quando olhávamos para trás sequer víamos se tinha algo na nossa traseira. Aquilo realmente parecia ser ruim, e achamos melhor ir novamente a uma oficina para tentar diagnosticar o problema. Era domingo e o único lugar que estava aberto era uma oficina que fazia troca de óleo, fomos assim mesmo, talvez teria como nos indicar alguém.

Leo explicou quando começou o problema, falou também da mangueira estourada e o mecânico fez uma cara de “não bom”. Ele disse que provavelmente se tratava de cabeçote, olhou nosso anticongelante e disse que havia mais água do que o anticongelante e que este era um problema que acontecia com frequencia nos EUA por causa do frio, a água dentro do cabeçote congela e expande o que acaba por danificar a peça que é de alumínio. Ele nos indicou outra oficina, mas claro, só na segunda-feira, nos recomendou não ir a lugar algum com o carro ou poderíamos agravar o problema. Começamos a colocar anticongelante a cada duas horas no carro, e simplesmente quando abríamos o capo ela já tinha desaparecido, a única coisa que conseguimos imaginar que poderia ter causado o estrago foram as noites que deixamos o carro dormindo na rua em Nova Iorque.

O domingo foi longo, ou a ansiedade grande demais, mas enfim a segunda-feira chegou e fomos à oficina. Novamente não tivemos sucesso, o cara disse que teria que desmontar para ver se era somente a junta ou o cabeçote e que isto poderia levar três semanas, e que de qualquer forma não tinham a peça para substituir. Perguntamos se daria para ir andando e colocando o anticongelante, ele disse que sim, mas para não forçarmos o motor e irmos no máximo a 60km/h. Tínhamos que trocar as pastilhas de freio que já estavam gastas e aproveitamos para ir a outras duas oficinas que encontramos, e que igualmente à primeira disseram que levaria muito tempo, e não teriam as peças. Passamos a nos concentrar nas pastilhas porque parecia que a questão da fumaça e perda de água não seria solucionada em Front Royal. Outra desagradável surpresa, não tinham o modelo da nossa pastilha e a que tínhamos comprado pela internet antes da viagem não serviram, entramos em mais de quatro lojas de peças até que na oficina a proprietária nos levou em seu próprio carro até uma loja da Napa (esta é uma rede de lojas de autopeças para veículos que existe nos EUA e Canadá) e pediu ao amigo dela que era dono da loja para procurar um modelo igual ou parecido ao nosso. Ficamos ali quase a tarde inteira enquanto o pessoal abria caixa por caixa em busca da uma pastilha, quando já estávamos desistindo escutamos um grito que veio lá do final da loja. O homem trazia nas mãos um modelo 95% parecido com o nosso, a diferença é que é um pouco mais grossa, mas atendeu perfeitamente. Não teríamos conseguido sem a ajuda da dona da oficina, ela realmente tornou o dia mais leve e nos tirou uma preocupação da cabeça. Por fim acabamos dormindo em Front Royal pela terceira noite antes de cruzarmos o Shenadonh National Park e irmos até uma cidade maior procurar outro mecânico!

3 comentários Adicione o seu

  1. Carácas pessoal, torço por vocês! continuem essa bela aventura. abraços de Cuririba Sérgio Pitaki

    1. expedicaoih disse:

      Olá Sérgio, vamos em frente!
      Abraços!!!

  2. RODRIGO MARTINS disse:

    Sinistro esse lance da fumaça e que sorte encontrar a pastilha de freio, vou ler o proximo capitulo pra saber como resolveu o problema rsrs. T+.

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