Route 66 e os Parques Nacionais!

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Os dias seguintes ao reparo do carro foram um tanto monótonos, a observação do carro que era constante agora tinha se tornado um tanto paranoica. Continuamos pela Blue Ridge Parkway, mas devido um deslizamento na pista tivemos que voltar na metade do caminho para a via expressa. Passamos por Asheville, cruzamos o Arkansas e fomos dormir já na divisa com o estado de Missouri. Por acaso encontramos um camping club só para associados, mas o pessoal nos permitiu acampar e de graça.

Blue Parkway!
Blue Parkway!

Ficamos pouco tempo em Missouri, mas gostamos do estado e das pessoas que foram bem amistosas. Visitamos Branson, onde acontecem vários shows diariamente, sobretudo de música country e a cidade de Carthage.

Estava em nossos planos percorrer toda a Rota 66, mas optamos por fazer alguns trechos entre Oklahoma e Santa Monica. A Route 66 foi construída no ano de 1926 como estímulo para as pessoas se dirigirem ao oeste, ela vai de Chicago até Santa Monica na Califórnia. Atualmente é uma rodovia histórica que não recebe manutenções. Postos, restaurantes, motéis, todos foram abandonados, alguns vestígios do período de glória se mantiveram, mas de fato são raros. Dirigir por esta estrada nos deu a sensação de voltar ao tempo, embora sem a euforia daquela época, apenas silêncio!

Route 66!
Route 66!
Tradicional lanchonete na Rota 66!
Antigamente salão na Rota 66 era assim, muito medo!!!

No estado de Oklahoma estivemos no Oklahoma Route 66 Museum e o National Route 66 Museum interessantes lugares para ver exemplares, fotos, história e curiosidades da Route 66.

Entramos novamente pelo Texas, desta vez pelo norte e sentindo muito frio, mas foi uma passagem rápida em direção ao Novo México, estava perto do meu aniversário e achamos uma boa escolha passar na cidade de Santa Fé.

Santa Fé realmente é charmosa, assim como os parques nas proximidades e a pequena Taos. Não visitamos nenhum dos pueblos porque achamos “exagerado” pagar 15 dólares por pessoa, mas 20 dólares para fotografar povos indígenas que dirigem F-350, são donos de cassinos e usam tênis esportivos, de fato nada parecido com o que nos agradaria ver em uma comunidade indígena.

Dia de comemorar aniversário, fomos conhecer o Bandelier National Monument (neste parque podem ser vistas petroglifos de mais de 11.000 anos, assim como edificações esculpidas nas rochas), quando chegamos do parque já eram mais de 19h e todos os restaurantes já estavam fechados, tivemos que deixar o jantar para o dia seguinte.

Fomos dirigindo pelo Highway 64 e novamente neve, a subida nos proporcionou vistas fantásticas e um entardecer colorido. Dia seguinte perto de cruzar a fronteira com o Colorado vimos de longe uma montanha alta que se destacava na paisagem, mais tarde descobrimos que era a Ship Rock, impressionante! Mais um pouco dirigindo e entramos na Devil’s Highway 666, assim chamada por causa da numeração “666”. Muitos cristãos acreditavam que esta rodovia era amaldiçoada, isto somado aos muitos acidentes na altura do Novo México. Em 2003 após a criação do novo sistema rodoviário americano ela foi renomeada como US-491. Ao longo dela as terras dos navajos e suas formações rochosas interessantes.

Finalmente chegamos onde queríamos nesta etapa da viagem, na região dos parques nacionais dos estados do Colorado, Utah e Arizona, e com o carro sem desenvolvendo bem, sem fumaça branca, sem perder força na subida, e ligando sem problemas com o frio, fomos deixando a paranoia de lado e retomando a postura de observadores cautelosos!!!

Quando passamos pela primeira vez nesta região era verão e fazia um calor escaldante, e achamos melhor visitar os parques no caminho de descida quando a temperatura estaria mais agradável (mais ou menos, porque as noites estavam geladas e com muito vento). Nossa escolha foi de fato excelente, pois desfrutamos de lindos dias de sol e céu azul.

No Colorado primeiro lugar que fomos visitar foi o Mesa Verde National Park um dos mais importantes parques nacionais dos “pueblos”. O Mesa Verde tem uma série e edificações nas paredes dos penhascos, o que demonstra a engenhosidade dos povos que se instalaram aqui desde A.C.. O destaque fica para o Spruce Tree House, Cliff Palace e House of Many Windows.

Uma estrada que ficará para sempre em nossas lembranças será a Million Dollar Highway ou Route 550Byway San Juan Scenic Skyway. Tivemos uma das vistas mais bonitas na viagem pelos EUA (isto exclui o Alasca), diferentemente de toda a região desértica das proximidades as muitas curvas fechadas desta estrada nos revelaram uma paisagem verde. Nós fizemos todo o percurso com muita neve, havia poucas pessoas circulando por lá, e várias máquinas limpando as pistas. Quando chegamos à minúscula cidade de Silverton (está já foi uma área de mineração importante, que atualmente vive do turismo) tivemos a impressão de estar vendo uma pintura, todas as ruas estavam cobertas de neves e as pequenas construções coloridas saltavam com a montanha ao fundo.

Silverton!
Byway San Juan Scenic Skyway!
Leo caminhando na neve - Byway San Juan Scenic Skyway!

A próxima parada foi Montrose, a cidade em si não têm atrativos, mas serve de base para os visitantes do Black Canyon National Park, primeiro canyon que visitamos nos EUA. Acabamos passamos o Dia de Ação de Graças (data celebrada em todo o país) em nesta cidade, mas aqui as pessoas ficam em casa e não tem nenhum evento interessante, uma pena porque teria sido uma boa experiência apreciar este dia tão importante no calendário deles.

Não estava nos planos visitar o Colorado National Monument, mas como estávamos perto resolvemos ir. Fomos compensados por esta escolha, pois este parque também oferece vistas fantásticas e formações rochosas curiosas. Saímos do Colorado felizes com tudo que vimos, é realmente um estado fascinante e com paisagens diversificadas.

Leo com a melhor vista do Colorado!

Seguimos para Utah, um dos lugares mais esperados nesta região. Fomos primeiro ao Arches National Park, aqui além de ter uma grande concentração de arcos naturais existem outras áreas interessantes, como o Park Avenue, o Balanced Rock e a Petrified Dunes. Ficamos dois dias caminhando entre as belezas do lugar, um dia é pouco, e este é um parque merece mais!

Arches National Park!

“Em frente” ao Arches do outro lado da rodovia 191 está o Canyonlands National Park. Este é o parque predileto do pessoal offroad, tem uma gama enorme de trilhas em pedras com vistas do grandioso rio Colorado. É um parque bem extenso, nós entramos pelo norte e fizemos primeiro o caminho por cima do canyon, depois mergulhamos na Shafer Trail Road, aqui podemos dizer que realmente estamos dentro do canyon, a estrada é bem íngreme, com curvas fechadas, espaço para apenas um carro e o mais assustador, pedras enormes podem rolar a qualquer momento, mas quando se chega lá embaixo a panorâmica justifica tudo!

Shafer Trail Road no Canyonlands National Park, uma descida e tanto!

Saímos de Moab para o Natural Bridges National Park. Neste parque existem três pontes naturais que podem ser vista dos mirantes ou acessadas por trilhas.

O destino seguinte foi o Monument Valley um parque localizado nas terras dos índios navajos, e são eles que cuidam do local. Muito antes de se chegar lá existe um caminho revelador através da Route 261 onde está a descida conhecida como Moki Dugway. Já na Route 163 uma curiosa formação parecida com um chapéu mexicano dá movimento a paisagem árida. Seguindo por esta mesma rota se chega ao Monument Valley, uma vista de tirar que dispensa comentários, sem dúvida um lugar especial. Chegamos no horário do pôr do sol e acabamos dormindo no vilarejo Mexican Hat, onde conhecemos o Larence que generosamente nos ofereceu um café da manhã feito por navajos!

Com o amigo Larence em Mexican hat!

A caminho do Glen Canyon National Park demos paramos no Navajo National Monument e vimos mais construções nas rochas, sem dúvida o Mesa Verde resumiria bem a experiência nestes lugares dispensando a ida em qualquer outro, mas como estava em nosso caminho não nos custou nada fazer uma parada.

O Glen Canyon se difere dos outros parques desta região por possuir uma grande área de lazer ao longo do Rio Colorado, que após a construção da barragem formou o chamado Lake Powell de água verde escura, é um lugar muito procurado no verão por pessoas que querem se refrescar. Duas coisas nos interessam muito, uma era conhecer a Raibow Bridge, a maior ponte natural do mundo, e a segunda era o Antelope Canyon, formações que parecem se mover dentro de uma fenda. Dois contratempos surgiram em nossa visita, a primeira é que para visitar Raibow teríamos que esperar até sábado, e ainda era segunda-feira, porque não existe acesso por terra e o parque em época de baixa temporada só disponibiliza um barco uma vez por semana, tentamos algumas empresas particulares, mas sem sucesso. O Antelope Canyon não recebe sol em dezembro, e a visão que teríamos não seria nada parecida com a que desejávamos ter. Acabamos desistindo e ficando um pouco chateados, estas eram realmente duas coisas que queríamos ver, mas fica para uma próxima, tínhamos muito mais motivos para estarmos felizes com todas as belezas dos lugares por onde já tínhamos estado que não desanimaríamos com o tempo você acaba aprendendo que uma longa viagem não significa ver tudo, muitas vezes é necessário fazer duras escolhas, esta foi uma!

Lake Powell, grande área inundada depois da construção da barragem!

Despedimos-nos de Utah definitivamente nesta viagem e seguimos para o Arizona. Passamos por vários monumentos nacionais como o Walnut Canyon, o Wupatki e o Sunset Vulcan antes de chegarmos a Flagstaff, lugar que Já tínhamos estado no verão. Planos para o dia seguinte: fazer a longa trilha até a Havasu Falls, uma linda queda d’água no meio do deserto. Apesar de saber que seria uma trilha puxada estávamos super animados, vimos fotos do local e realmente parecia mágico. Dormimos e quando estávamos pronto para sair do hotel vimos que o Troller estava todo coberto de neve! Fomos tomar nosso café e perguntamos ao pessoal até quando ficaria nevando e a notícia não era das melhores, eles informaram que pelo menos por outros quatro dias. Resolvemos ir para a pequena Williams saber sobre as condições da trilha com neve. Pegamos a estrada e a neve começou a se intensificar, estávamos tão perto de Williams, mas não conseguimos sequer sair da cidade, ficamos presos num engarrafamento por cinco horas (detesto este brinde que vem junto com a neve L). Novamente vários acidentes de trânsito e pista interditada. Quando finalmente a estrada foi liberada e chegamos ao destino estávamos cansados e fomos dormir. Mais um dia e tudo branco, como tinha nevado a noite toda a camada nas ruas estava espessa e nos dificultava andar. Fomos ao centro de informações turísticas e a notícia do dia anterior foi confirmada, a trilha para a Havasu Falls estava fechada até que o tempo melhorasse. Williams fica a poucos quilômetros do Grand Canyon e então para não ficarmos trancafiados no hotel resolvemos passar o dia lá. Novamente muitas estradas foram fechadas, e nosso passeio por lá ficou bem limitado, mas apesar disto tivemos uma visão diferente das que estávamos acostumados a ver, uma parte estava com neve e a outra não. É difícil descrever a grandiosidade deste lugar, somente com binóculos conseguimos ver o rio Colorado cortando seu interior. Existem ônibus que fazem os passeios gratuitamente, mas só uma linha e até certa parte estava acessível, poderíamos esperar o tempo melhorar, mas nosso reloginho estava correndo, faltava pouco para nosso visto expirar e queríamos tentar mais uma vez na Califórnia resolver o problema do vidro do carro.

Nossa visita a estes parques marcou o final deste circuito natural nos EUA, agora estávamos nos dirigindo à Las Vegas. Realmente esta parte deixará saudades!!!

6 comentários Adicione o seu

  1. Regis Reis disse:

    Ola pessoal o/
    Os relatos da expedição de vocês ta sendo uma bela aula de geografia e história. Muito bom!
    Uma coisa que quero muito saber é se apos o termino da Infinity Highway, vocês vão lançar um livro com todas as fotos, texto e muito mais ou não???

    1. expedicaoih disse:

      Olá Regis!
      Ficamos felizes que você esteja gostando, quanto ao livro é uma possibilidade, mas ainda precisamos estudar melhor e ver como funciona a parte de publicação!
      Abraços!

  2. Leonor Capeluto disse:

    oi dani,
    feliz aniversário!!!! muita saude, e curtições por aí!!bks
    Leonor

    1. expedicaoih disse:

      Oi Leonor,

      Muito obrigado, calhou do post sair bem depois do meu aniversário, rsrs!
      Beijos!!!

  3. Camila Picolli disse:

    Que lindo… muito legal!!
    Dia de “sapo e pereca” foi muito bom!!! ahahahahaha

  4. RODRIGO MARTINS disse:

    Vou comentar a foto ( Leo com a melhor vista do Colorado! ).

    O Léo estava olhando para a Dani por isso o nome da foto, é verdade ou não Léo ? rsrs

    Não consigo parar de ler é realmente muito interessante ler os fatos dessa aventura.

    Mas e o carro? vou continuar lendo para saber. T+

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