Além da “Grande Muralha”!

Perto de cruzar a fronteira com o México começamos a sentir aquele frio na barriga comum quando estamos perto do desconhecido, desde o início desta viagem sentimos isto quando estávamos prestes a deixar um país e entrar em outro.

Depositamos muitas expectativas nesta parte da viagem afinal de contas este é um país de ricas culturas, paisagens variadas, comida com sabor particular e único e claro, sol, agora perto de chegarmos lá novamente dúvidas e escolhas.

Em nossos planos iniciais iríamos descer pelo México entrando por Nogales, mas depois de muitas pesquisas achamos melhor seguir pela Baja California, considerado um estado mais seguro e com mais atrações do que o restante do norte México, embora fosse com certo pesar que teríamos que renunciar à cidade de Hermosillo, o Cañon del Cobre e as ruínas de Paquimé.

Nenhuma fronteira nos chocou mais do que esta, a “Grande Muralha” que separa os EUA do México é realmente algo que agride os olhos. Tínhamos escolhido entrar por Tijuana, mas nosso amigo Mark nos recomendou Tecate, muita mais tranquila e menos concorrida. De fato passamos a muralha e já estávamos em território mexicano, sem estresse, sem filas e sem aduana para liberar o documento para o Troller circular livremente. Junto à aduana havia um grupo de militares que fazia inspeção, na nossa vez pediram para que abríssemos duas gavetas perguntaram quanto tempo ficaríamos, quais lugares e “listos” fomos dispensados. Depois tivemos que ir perguntando onde era a aduana para termos o carimbo de entrada, aqui é pago (cada um diz que é num lugar, e têm os que não sabem mesmo, aff!), foram U$20,00 por nós dois! Depois de acertamos nossa entrada (quem tem visto para os EUA não necessita de visto para o México e o tempo para permanência que nos deram foram os mesmos seis meses que recebemos em junho quando chegamos aos EUA) fomos nos informar onde era a aduana do carro e nos responderam que somente em Tijuana era feito este trâmite. Não teve jeito tivemos que ir para lá.

Não foi difícil achar o local, bastou seguir o muro com cerca elétrica. Você não precisa ir muito longe para se sentir no México, incrivelmente bastou cruzar a fronteira e já havia galinhas atravessando a rua, barraquinhas vendendo comida, gente nos sinais de trânsito limpando para-brisas ou fazendo acrobacias para ganharem um trocado e claro muita, mas muita confusão no trânsito (motoristas que avançam sinais, falta de sinalização, quebra-molas surpresas e gente ultrapassando por todas as partes, preferencialmente pela direita), confessamos que de todo este choque cultural, duas coisas são para nós intoleráveis, pessoas jogando lixo no chão e motoristas imprudentes, isto detestamos tanto em nosso país quanto no dos outros!

Já na polícia aduaneira tiramos as fotocópias da carteira de motorista do Leo e do documento do carro, este serviço foi gratuito e é feito no mesmo local, e depois disto nos mandaram para uma fila efetuar um depósito no valor de U$400,00 para circular com o carro, nos pareceu bem absurda esta exigência, já cruzamos nove fronteiras e esta foi a primeira que tivemos que pagar, mas enfim pagamos. O oficial aduaneiro esclareceu dizendo que assim que fizermos a aduana de saída do México iremos ao banco na própria fronteira onde efetuarão a devolução do nosso dinheiro, mas até lá fica na conta do governo!!!

Nunca é fácil o dia de cruzar fronteiras, mas sem dúvida esta foi até agora a mais demora, não problemática porque as pessoas foram educadas e sempre sorridentes, mas chegamos às 7h e só conseguimos deixar Tijuana às 11h.

Não tínhamos nada planejado para a Baja Califórnia, mas queríamos muito chegar à Guerrero Negro no primeiro dia, o que não foi possível porque apesar de ser afastada a estrada é estreita, sem acostamento e havia muitos caminhões, como não dirigiremos durante à noite no México tivemos que dormir em Rosario del Abajo. Em nosso primeiro dia mexicano ficamos felizes em pagar R$28,00 por hotel razoável. Primeira surpresa no México, hospedado no mesmo hotel que nós um motoqueiro equatoriano que estava voltando do Alasca, aproveitamos para jantar na companhia dele e saber mais sobre suas histórias, o que não se revelou muito feliz. Ele saiu de Quito com um amigo japonês de moto foram até Ushuaia e depois Deadhorse, assim como nós, infelizmente em Fairbanks o amigo dele sofreu um acidente e veio a falecer. Certamente a vida tem seus mistérios e razões, e apesar de muita sentida a perda ele nos disse que estava feliz por estar vivo e por estar ao lado do amigo que encerrou sua jornada em Fairbanks, ficamos admirados com a força e fé dele em concluir a viagem de volta dirigindo até seu país, disse que faria isto por ele e pelo amigo. Despedimos do novo amigo na mesma noite e em orações seguimos pedindo por ele e todos os que estiverem nas estradas.

Primeiros contatos com o México!
Primeiros contatos com o México!

Estávamos apenas a duas horas de Guerrero, mas nos sentimos mais seguros em dirigir com a luz do sol, que nos proporcionou vistas incríveis dos muitos tipos de cactus que tornam o norte do México tão conhecido. Fomos parados três vezes em barricadas militares que controlam as estradas da Baja e do restante do país, todas às vezes foram simpáticos e não tivemos nenhum problema. Chegamos à Guerrero de dia e encontramos um camping para dormir, seria nossa primeira noite acampados e embora o camping fique localizado num das ruas principais e ser bem barulhento tivemos uma noite tranquila sem preocupações.

Conseguimos uma vidraçaria que fez um vidro laminado para substituir o de acrílico que compramos em NY, mas na primeira fechada de porta quebrou, agora seguimos novamente com o vidro do motorista quebrado.

Guerrero é de onde partem um dos mais famosos passeios em direção à Bahia Tortugas para observar as baleias que vem passar o inverno em águas mais amenas, mas chegamos dez dias antes do início da temporada. Resolvemos seguir até Bahia Tortugas por nossa conta tentar a sorte, enfrentamos uma longa estrada de chão e não vimos nenhuma baleia, mas ainda teríamos muitos outros locais para vê-las e poderíamos esperar um pouco mais. Nosso destino agora era o povoado de Bahía Asunción onde uma amiga nos esperava.

A caminho de Bahia Asuncion!
A caminho de Bahia Asuncion!

Podemos dizer que nos três primeiros dias de México já tínhamos entrado no ritmo latino novamente, já levamos nosso papel higiênico para os banheiros públicos, vamos primeiro nos certificar que estamos na fila certa, choramos desconto e negociamos tudo que precisamos comprar!

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6 comentários Adicione o seu

  1. Marcelo Hastings disse:

    Chan e o pessoal da Arquitetura da PCE me falaram de vocês, mas só agora estou dando uma olhada mais longa no site. Muito show a viagem e o site. Hoje cedo vi as fotos da Argentina. Já viajamos muito pela Argentina e conhecemos muitos dos lugares que vocês foram. Só não sei como conseguem aquelas fotos. São demais. Parabéns!

    1. expedicaoih disse:

      Marcelo,

      A Argentina tem lugares lindos, isto facilita tirar boas fotos, tenho certeza que você tem ótimos registros fotográficos de lá!

      Abraços e obrigado!

  2. RODRIGO MARTINS disse:

    México me lembra, Acapulco do Chaves e festas quentes em Cancun que vi no programa Panico na TV.

    Continuo lendo sem parar os posts. T+.

    1. expedicaoih disse:

      Aqui passa Chaves direto na TV, já vimos algumas pessoas fantasiadas dos personagens.
      Quanto à Acapulco, estava no roteiro mas já foi eliminada, os mexicanos não recomendam aquela região por agora devido aos problemas com narcotráfico 😦

      Abraços!

  3. Tavinho disse:

    Essa história do vidro vai ser assunto pra muitos bate-papos quando chegarem. O que hove com o vidro que fizeram??? Nao é tão frágil assim, o sistema do elevador deve estar com algum problema.

    Abração

    1. expedicaoih disse:

      Tavinho, fizemos um vidro laminado só para substituir o de acrílico, mas como ele teve que ser fixado na marra mesmo, na hora de fechar a porta a vibração fez com que ele tricasse 😦
      Quando ao motor precisamos de um desde Chicago, mas não encontramos nada similar, vai ter que ser da Troller mesmo.

      Abração

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