Chiapas, início turbulento e com chateações, mas compensado pelas incontáveis belezas!

Depois de dias de intenso calor na costa de Oaxaca seguimos para Chiapas, estávamos felizes por passar por Oaxaca sem termos que enfrentar os famosos manifestos que fecham as rodovias, bem na verdade quase passamos sem esta, mas faltando pouco menos de 50km para cruzarmos a fronteira entre os dois estados eis que surge a nossa frente uma fila sem fim de caminhões e carros. Já era metade da tarde quando nos deparamos com este manifesto de “despedida de Oaxaca” que tinha iniciado às 9h daquele dia. As pessoas ali paradas com a cara de despreocupadas contribuíram para nossa tranquilidade, afinal, não era um manifesto agressivo do tipo que queimam ônibus, viram carros, jogam pedras, a não ser que você queira “furar”, mas ninguém se arrisca.

O jeito foi esperar em uma lanchonete há uns quilômetros atrás e aguardar que liberassem o trânsito. O governo não faz nada a respeito, eu concordo que as pessoas tenham o direto de protestarem, mas quando o direito delas interfere no direito de ir e vir livremente dos outros acho um abuso. Felizmente um rapaz que trabalhava na lanchonete ligou para casa da mãe que era perto de local do manifesto e nos disse que já estava liberado, então finalmente voltamos para a estrada. Acabamos pegando a noite, mas chegamos bem ao camping em Puerto Arista na costa do Pacífico de Chiapas onde tivemos o prazer de passar dois dias na companhia de novos amigos!

Com os amigos, da esquerda para a direita, o casal argentino Ana Licia Melgar e Daniel e o casal espanhol-austríaco Sole e Heinz!

Subimos pouco até chegar a capital Tuxtla e não achamos o lugar nada atraente. Depois do manifesto saindo de Oaxaca vivenciamos uma séria de coisas desagradáveis nos dias seguintes. Quando fomos sacar dinheiro descobrimos que nosso saldo era “zero”, fomos então procurar um hotel que aceitasse cartão de crédito, coisa difícil aqui no México, e entrar na internet para ver nosso extrato detalhado. Ao vermos nossa conta contatamos que nosso cartão de débito tinha sido clonado e que foram efetuados vários saques num mesmo dia, para melhorar era domingo e a única coisa que conseguimos fazer foi ligar para o banco no Brasil e explicar o acontecido, depois disto nossos cartões foram bloqueados. O Citibank exigiu uma carta assinada para poderem dar entrada num processo de investigação, o dinheiro volta para a nossa conta assim que a carta chegar às mãos do setor responsável na agência geral em São Paulo, mas tem sido outra complicação fazer esta carta chegar ao Brasil. Estivemos na Office Max que é parceira do Fedex em Chiapas, já que neste estado não existe oficina própria, e de lá enviamos a tal carta para o banco, após quase um mês da data de envio fomos informados que nossa encomenda jamais saiu do México e que tinha voltado para a casa dos nossos amigos no DF, eles foram nossos destinatários já que é exigido um endereço local. O Fedex e a Office Max jamais disseram o porquê da encomenda não ter sido entregue e para evitar mais demoras nossa amiga enviou novamente por outra empresa a correspondência na última semana. Agora estamos contanto que a entrega será feita corretamente.

Com relação ao banco, além da dificuldade em falar com a gerente da nossa conta, estamos sem os cartões de débito e as senhas novas que já deveriam ter sido entregues no endereço que temos no Brasil e não foram, o que tem retardado ainda mais a normalidade das coisas para nós. Além disto, não existe Citibank aqui no México, o parceiro deles é o Banamex que sequer pode fazer ligações internacionais, mesmo que seja para números gratuitos, e toda vez que precisamos falar com o banco temos que pagar pelas ligações, pois os números que nos passaram são cobrados, têm também as benditas músicas e transferências, tudo para facilitar a vida do cliente “ferrado” no exterior, sem palavras para as inúmeras chateações com serviços conhecidos internacionalmente e que não tem feito um atendimento descente com clientes em situações especiais.

Voltando aos nossos dias em Tuxtla depois de descobrirmos que estávamos impossibilitados de movimentar nossa conta corrente, ficamos mais uma noite na cidade e aproveitamos para fazer a revisão geral de 80.000km. Durante a revisão foi constatado que os pivôs das rodas dianteiras estavam desgastados e precisariam ser trocados. Não sabíamos qual seria o modelo do pivô para o Troller, como sempre os amigos no Brasil nos ajudaram, mas o modelo indicado por todos era da F1000 que não circula aqui e o jeito seria desmontar e ir às lojas de autopeças buscar uma peça compatível. Fizemos a revisão sem problemas, mas na hora de tirar os pivôs, já em outra oficina, porque na que fizemos a revisão não faziam este tipo de serviço, o mecânico quebrou a chave dentro do parafuso da roda e não conseguia tirar, por fim deixamos do jeito que estava porque ali não iriam resolver nosso problema.

Dia seguinte ao acordamos e mais uma surpresa desagradável, haviam vidros estilhaçados no estacionamento do hotel e quando perguntamos do que se tratava nos responderam que durante a noite arrombaram dois carros, que estavam estacionados do lado do nosso, enquanto o vigia dormia e levaram os aparelhos de som. Olhamos um para o outro descrentes ao ver a reação dos funcionários com cara de que nada aconteceu e decidimos partir deste lugar antes de sermos as próximas vítimas.

Fomos para a cidade vizinha Chiapa de Corzo buscando por momentos de diversão e mais tranquilidade. Chiapa de Corzo diferentemente de Tuxtla tem charme e é de onde partem os passeios de barco para o Cañon del Sumidero, um lugar fantástico e onde vimos pela primeira vez crocodilos vivendo livremente em seu habitat, também vimos muitas garrafas plásticas pelos cantos, o que em nada combina com a beleza natural deste lugar.

Chiapa de Corzo e seus detalhes criativos!
Cañon del Sumidero, relax de que vai nos primeiros assentos:)!

Voltamos em direção á Tuxtla, apenas de passagem para visitarmos Sima de las Cotorras onde vários papagaios saem voando em espiral quando o sol penetra nas árvores lá embaixo, normalmente as pessoas acampam na entrada do parque para verem o voo pela manhã, mas nós chegamos às 15h e tivemos a sorte de vê-las voando de regresso para suas casas, também é possível ver pinturas rupestres na caivdade. No dia seguinte visitamos o Cañon Rio la Venta, descemos primeiro uma escadaria de mais de 700 degraus, depois caminhamos pelo Rio la Venta e chegamos aos pés da “Cascada el Aguacero” um queda d’água entre a vegetação, realmente encantador e refrescante.

Sima de las Cotorras!
Caminhada pelo Rio la Venta na visita à Cascada el Aguacero!

Seguimos cautelosos para San Cristobal de las Casas devido aos pivôs que não tínhamos trocado ainda, e do clima quente e abafado fomos para as montanhas onde depois de muitas curvas começamos a sentir um frio que nem lembrávamos mais que existia.

Nossa pretensão era acampar por aqui, mas fomos surpreendidos por uma forte chuva de granizo que cobriu o chão de branco, dia seguinte novamente chuva e granizo, não teve jeito tivemos que abortar o camping. Aproveitamos estes dias para resolver o problema do carro. Conseguimos com a boa vontade de um mecânico e um bom soldador retirar os parafusos da roda e trocar os pivôs, os modelos compatíveis foram da Ranger, também conhecemos o mexicano Gabriel Gonzalez que está planejando sair de carro do México com o irmão até a América do Sul.

Infelizmente tivemos o desprazer de assistir a cena de um homem sendo preso em pleno centro histórico após roubar a bolsa de uma turista. A única coisa que Leo ouviu foram pessoas gritando “segura ele” e em questão de segundos um homem com uma bolsa preta caiu aos seus pés e logo em seguida veio a polícia, o homem desistiu da fuga após cair e se arrebentar todo. Nunca vimos uma ação policial tão rápida e profissional, eles não agrediram ou gritaram com o homem, o levantaram do chão e o algemaram, um turista ameaçou bater no homem e o policial disse: ele já está algemado, deixe-nos agora fazer nosso trabalho!

San Cristobal é a cidade preferida de muitos turistas que visitam Chiapas, é sem dúvida bonita e viva, muitas das pessoas que chegam à aqui estão interessadas em ver de perto os povos indígenas dos povoados vizinhos de San Juan Chamula e Zicanantán.

Mercado de artesanatos em San Cristobal de las Casas!
Cenas que ninguém gosta de presenciar!
Os lindos e coloridos postais de San Cristobal de las Casas!

Quando visitamos San Juan Chamula ficamos impressionados com as mulheres em suas roupas coloridas levando suas crianças nas costas e carregando nos braços seus artesanatos, mas outra coisa nos chamou a atenção, a abordagem de venda agressiva delas. Assim que chegamos ainda dentro do carro duas meninas vendedoras amarraram em nossos braços duas pulseiras dizendo ser presente, claro que não acreditamos, e depois disto ficaram nos seguindo para comprarmos algo delas, sinceramente, um saco isto, é exagerado e sufocante demais, além de ser cansativo ter que dizer “não obrigado eu não quero” para a mesma pessoal umas dez vezes. Os turistas que falam com entusiasmo deste lugar tem razão quando mencionam as tradições e o contraste entre o velho e o novo, mas caminhando pelas ruas nos pareceu muito mais um campo de vendas que um contato intenso com a cultura local!

Zincantán é onde são confeccionados os tapetes artesanais desta região, vale a pena visitar um atelier e ver a técnica local utilizada pelas artesãs.

É assim que os turistas são assediados em San Juan Chamula!
É assim que os moradores assediaram o Troller em San Juan Chamula!
Igreja de Zinacantán!

Ao mesmo tempo que Chiapas era o lugar que mais queríamos conhecer no México, estava se tornando o lugar que queríamos passar mais rápido e estávamos começando a cogitar a possibilidade de não visitar alguns dos lugares que planejávamos.

Deixamos San Cristobal ainda indecisos com a escolha do caminho que faríamos, a Semana Santa estava se aproximando e sabíamos através dos amigos do DF que este período é quando todos os mexicanos saem de férias pelo país, normalmente os preços sobem e muitos lugares ficam lotados então precisávamos decidir logo se seguiríamos com os planos de percorrer a Carretera Fronteriza, que muitos diziam ser perigosa devido ao tráfico, ou se enfrentaríamos o caminho sinuoso de San Cristobal para Palenque, lugar conhecido pela presença forte dos zapatistas que bloqueiam as estradas e obrigam a todos pagarem “pedágios” para colaborarem com o movimento.

Antes de tomarmos a decisão do caminho que iríamos seguir, fomos até Comitán para visitarmos as “Cascadas de el Chiflón” e o Parque Nacional Lagunas de Montebello, não estávamos dispostos a renunciar a estas belezas naturais!

Cascata Véu da Noiva em El Chiflon!
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10 comentários Adicione o seu

  1. Vixe que uruca, acho que de todos os percalços este diagrama com o banco deve ter sido o que mais abalou né? A sensação de impotência e desrespeito faz a gente se sentir idiotas.

    Agora em compensação o visual que vcs estão presenciando são demais, n se deixem abater, curtam mais e mais a viagem!!

    1. expedicaoih disse:

      Pois é Marcelo, o banco realmente nos decepcionou e tem dado uma canseira com as burocracias, mas estamos aproveitando a viagem e muito!
      Abraços!

  2. Fernanda disse:

    cruz credoo….quanta confusão! ainda bem que estão bem…bjsssss

    1. expedicaoih disse:

      Muita coisa de uma vez dá uma canseira danada, mas como vc disse estamos bem 🙂 Beijos!!!

  3. Luis Valverde disse:

    vocês já podem ir reservando uma galeria e fazer a programação de exposição de fotografias por um ano inteiro! Fico babando com as fotos de vcs! abraço e boa travessia da America Central. Na Costa Rica, não deixem de subir o volcão Poás e o Irazú. NO caminho da Nicaragua para a Costa Rica, vocês tanto podem ir pela Peninsula de Guanacaste, e atravessar a ponde do Golfo de NOcoya perto de Puntarenas, como ir pelo norte, saindo de LIberia em direção a Arenal, onde fica um volcão em atividade que pode ser apreciado a noite expelindo lava. NO caribe da Costa Rica, vale a pena visitar a região de Puerto Viejo, com suas praias dentro de parques nacionais, próximo da fronteira com o Panamá. Na capital, San José, nada para ver.
    Não sei o que vcs decidiram de Honduras, mas não podem deixar de visitar Copán, a Atenas Maya, que fica próxima da fronteira com a Guatemala. Outra região muito bonita, pela natureza exuberante, é a baía de Tela (parque de Tornasal) e suas comunidades garífunas nas restingas entre o mar e a lagoa. Abraço grande!

    1. expedicaoih disse:

      Valverde, anotamos tudo!!!
      Ainda não decidimos qual será nosso trajeto por Honduras, mas Copán não ficará de fora, quanto à Tela estamos pensando ainda, vimos umas fotos e realmente é um lugar lindo, como muitos outros. O que queremos evitar é fazer aduana duas vezes em Honduras, então teremos que pensar numa rota!

      Abração e obrigado!

  4. Luis Valverde disse:

    esqueci de falar! Não deixem de visitar Chichicastenango na Guatelama, e de visitar todas as aldeias mayas em volta do Lago Atitlán: Panajachel, Santiago e São Pedro. E claro, Antigua +e uma das cidades mais bonitas que conheci. Chichicastenango deve ser visitado no dia da feira, domingo, pois esta é um espetáculo aparte!

    1. expedicaoih disse:

      Quando estivermos na Guatemala reservaremos um domingo para Chichicastenango!
      Abraços e obrigado novamente!

  5. Olá Viajantes! Saúde! estamos planejando uma viagem de carro desde belem até o alaska e. considerando a experiencia de voces com o transbordo do carro de cartagena para Miami… seria possivel fazer o contrário, só que para o Brasil? Ou seja: viagem de carro até o alaska e depois despacha o para são Paulo ou belem… grande abraço. Anselmo – belem pará

    1. expedicaoih disse:

      Olá Anselmo!

      É possível enviar dos EUA para o Brasil, o que praticamente 100% dos viajantes não recomendo devido a burocracia e altos custo. Do Alasca eu não saberia dizer, você teria que ver diretamente com um aduaneiro os portos que fazem este trâmite. Antes de fechar vale a pena pesquisas com os portos atuais menos burocráticos e baratos!
      Abraços,
      Daniele e Leonardo

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